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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Homenagem

Queridos Escreviventes e Visitantes,


Dia 13 de dezembro de 2008, realizamos a nossa emocionante confraternização do “Projeto Escrevivendo”.

O escrevivente Benedito prestou uma homenagem maravilhosa ao grupo, com palavras singelas, que tocou os nossos corações. Apreciem abaixo o conteúdo do cartão personalizado, e peço desculpas por não ter disponibilizado antes.




Paulinho

Na noite escura,

Entre esquinas solitárias

Segurei a mão apaixonada.


Sandra Tanaka

No vento frio,

Olhos tristes

Aquecem meu coração


Marlene

Brincavam,

Entre miados e latidos,

Ignorando a mão da natureza.


Loreta

Esquecendo-se animais,

Encheram meus olhos

De ternura humana.


Neuza

Se desabotoando do inverno

Despontou um único botão,

Tímido desnude da prima Vera.


Bruna

Poças de verão

Tornam leve sua jornada

Pelo campo de girassóis.


Maria Guilhermina

E flutuaram meus dedos

Por sobre os lábios

Em que o amor falou.


Luís

Cara metade que me falta

Luz me esclarece.

Divina que me faz pagão.


Sandra Regina

Meus olhos deitados

Na linha do sorriso infantil.

Leito onde descansa a ternura.


Concha

Pelo corte dos dentes

Escorre, ternura, o amor

Que provê a vida.


Mafuane

Giram e dançam crianças.

Levantam pó como a chuva e

Anunciam novos tempos.


Maria do Carmo

Mais que matéria ou idéia,

Compartilhar seu sorriso

È me fazer irmão.


Sandra Schamas

Despontam sorrisos.

Brilhos diários infantis.

Sustentadores da esperança.


Pedro

Uma só camisa guerreira

Reunindo soldados loucos.

Espartanos? Não, Corinthianos.


Nara

Entre flores do meu jardim

Cultivo o mais vivo botão:

Filho que floresce.


Roberto

Olhares que se confrontam.

Mãos que se aquecem,

Ignorando o frio da chuva.


Thiago

Novos sentidos se dão

Aos abraços e olhares.

Irmãos se descobrem.


Eliana

O vento, que limpa,

È a chuva, que enxágua,

Preparam o recomeço do Sol.


Karen

Das flores que cultivei,

A alegria me colheu.

Era Giulia a sorrir.


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Forte Abraço!

Mafuane


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sushiman ao molho branco

Por Dagô Teodoro (do Escrevivendo Luz)

Sempre que via um homem oriental ficava extasiado. Filho mais velho de uma família conservadora, desde pequeno escondi meus verdadeiros desejos. Cresci e até namorei algumas meninas, mas no refúgio do meu quarto, quando batia uma punheta... Era nos rostos arredondados e de olhinhos puxados que eu pensava. Esse desejo ficou latente em mim até os vinte anos. Estava no último ano de gastronomia e havia conseguido um estágio num ótimo restaurante de comida japonesa na região do Itaim. Isso me daria muitos pontos na tese conclusão de curso. O chefe de cozinha era sushiman muito bem conceituado no meio gastronômico. Mas ao vê-lo só pensava como seria aquele monumento sem kimono, pois era um belo oriental, 35 anos, solteiro, cabelo todo espetadinho levemente desestruturado, o corpo malhado com músculos bem distribuídos em seus 1,75m, olhinhos puxados e um sorriso maroto emoldurado por um cavanhaque que o deixava com ar de safado, além de tudo isso, era extrovertido e bem falante, eu pagava o maior pau por ele. As semanas seguiam e eu só na vontade. Até que numa madrugada o japa me escalou para ficarmos depois do expediente e montarmos um menu especial, logo de cara gostei da idéia. O novo cardápio foi um sucesso! A partir de então, tornei-me seu pupilo preferido, passei a acompanhá-lo a eventos em hotéis e convenções e saíamos para batermos uma bolinha com o pessoal do restaurante nos dias de folga. Um dia, ele apareceu com uma gata, disse que era sua nova transa. Fiquei roxo de ciúme, mas me segurei. Para me provocar, ele me contava tudo. Falava como ela o beijava, as posições que eles faziam na cama e até o modo como ela gemia na hora do rala e rola. Pensei em desistir daquele japinha. Mas novamente ficamos no restaurante depois do horário. Naquela madrugada, o japonês testou alguns pratos a base de saquê. Saquê vai, saquê vem e o japa ficou doidão. Foi minha chance, me ofereci para levá-lo embora. Ao entrarmos no apartamento, deitei o japa na cama, tirei-lhe os sapatos e as meias, que pés maravilhosos, com cuidado afrouxei o colarinho, desabotoei o avental. Ele não tinha muitos pêlos. Não agüentei e habilmente desvencilhei o cinto e abaixei as calças dele. Ele estava com uma cueca vermelha modelo boxer. Que delícia! Decidi fazer o teste do bafômetro e cai de boca não rashi do japa. Ele começou a balbuciar: “Caralho, que boca gulosa e safada... Isso, mama!” De repente o japinha me segurou com força pelos cabelos e empurrou minha cabeça para junto do seu saco. Era minha primeira chupeta! Engoli e suguei aquela trolha oriental com gosto. Ele ergueu as pernas e exibiu o anelzinho nipônico cheio de pregas. Logo passei minha língua ao redor daquele cuzinho depilado, mordi a bundinha do japonês, dei umas palmadinhas de leve. Ele gemeu e me pediu que fizesse um fio terra, introduzi meu anelar naquele Monte Fuji suculento. O japa se contorceu de prazer e exigiu que eu o comesse. Minha casseta estava dura feita uma verga. Só tive tempo de sacar um pacotinho de camisinhas, encapar meu tempurá e lambuzar o sushizinho dele com gel lubrificante. O japinha ficou na posição de frango assado e eu soquei com força. “Me fode seu puto! Arromba esse cu que tá com fome de pica!” Ele gemia feito uma gueixa louca. Começamos um vaivém alucinante. Estávamos tão empolgados que chegamos à velocidade cinco. Nossa respiração passou a ser uma só e aquilo me dava mais tesão para beijá-lo loucamente. Comi o japa em várias posições possíveis e imagináveis até gozar na cara dele. O japa bateu uma punheta e ejaculou em cima de mim. Exaustos, ficamos por algum tempo abraçados nus, lambuzados de suor e porra.

sábado, 29 de novembro de 2008

Eros, o último que morre


Por Roberto Dupré


Lá, em Kathmandu, no topo do mundo, onde se vê o mais alto e o mais profundo, vivem apenas dua espécies de aves: as multicoloridas esperanças e os frágeis pálidos sonhos. As esperanças se alimentam dos sonhos, cujas plumas entopem os córregos congelados e as geleiras em formação. Quando não há o que comer, as esperanças voam para as planícies e nos quartos improváveis dos bairros invisíveis, nos fazem acreditar que todas as coisas são possíveis. Até mesmo ter Você. E, quando fenecem, tudo o que resta são pequenos sofreres e dores imensas.
Da janela do monastério, lá em Kathmandu, um monge cansado e sem paciência sorri um último sorriso.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

PILLOW BOOK (O livro de cabeceira)

Por Bruna Nehring

Nagiko, desde sua primeira infância, foi criada com a obsessiva valorização do “toque” físico e erótico que pincéis, peles, tintas e caligrafia DEVIAM exercer. Ela fez evoluir um relacionamento emocional com seu pai, quase incestuoso, a partir do momento em que aprendeu com ele o toque do corpo, da pele, da saliva, do cheiro das tintas e o da pele que se modifica após a escrita. A caligrafia, na forma como lhe foi ensinada, extrapolava a arte como arte, carregada no erotismo do toque (lamber a pele, o pincel, a tinta, cheirar a tinta e novamente lamber a pele após ter sido escrita, como vimos o pai ensinar, não com gestos lúdicos ou profissionais, mas com um erotismo exacerbado).

Querer vingar o pai foi – também – a forma que ela procurava para libertar-se dele. Há um momento em que ela, criança, percebe que o pai também usava sexualmente os “mensageiros”. Desencantada pelo pouco caso que o marido dava às suas preferências sexuais (o incêndio dos papéis que agora passa a lhe parecer sacrilégio), ela foge de Kyoto - cidade de templos e religião, sim, mas principalmente de indústrias áridas – para Hongkong. Por que Hongkong? Ainda não é China na intenção do cineasta. É lá que surge em Nagiko a tentativa de cosmopolizar-se, aprender outros idiomas, “caligrafar” - como redescoberta de arte pura - em outras línguas. Entrando no “mundo”, (Hongkong era para ela o mundo no sentido internacional) ela está decidida a liberar-se daquela opressiva obsessão: confundir-se com seres humanos “estrangeiros” que trabalham e produzem, mas que mantém no íntimo (ela acha) o prazer daquela arte como mera arte. Os telefones, a datilografia em ideogramas (máquina complicadíssima que acaba na privada), os bares noturnos. Duvidosa é a existência de bares – ou outro tipo de locais – onde há espaço, e clientela, para a pintura de corpos. Poderia ser um bordel: lá tudo é permitido, bastaria levar seu próprio kit...

É lá que Nagiko parece querer abstrair-se do seu prazer pessoal em ser caligrafada, para começar a querer ver (ela é voyeur sim...), descobrir e “sentir” se os outros exalariam o mesmo prazer sexual ao serem caligrafados por ela ou por outrem. Para fazer isso, ela começar a se deixar caligrafar por escrevinhadores (para tentar “congelar” seu hábito de prazer), até encontrar Jerome, que primeiro ela rejeita, desprezando a qualidade de sua pele, para depois aceitar o desafio do jovem inglês, intrigado por aquela exaltação. Raça dominante, num minúsculo território de cultura anônima depois de centenas de anos de protetorado inglês, Jerome, tão jovem, abre mão de sua superioridade ancestral e se ajoelha perante aquela arte versátil, sensual, arrebatadora. É aí que o amor carnal, numa seqüência de imagens eróticas, dignas de kama-sutra-ad-infinitum, irrompe de forma tão definitiva que veste-se de sentimento, de amor, de espiritualidade. É lá que adquirem significado as cenas de carne jogada ao lixo: primeiro como rejeição da carne (não da pele), inapta à arte, e depois como obliteração dos prazeres da carne suplantados pela ascensão do amor às mais altas esferas do romantismo. Naquela rendição incondicional, Jerome chega a prestar-se como serviçal, levando os textos dela a editores que tinham o hábito, como o pai dela, de usar sexualmente os mensageiros.
Uma vez que a ligação carnal dos dois já se havia transformado em sublimação, e uma vez que Jerome estava sendo usado sexualmente fora do amor de Nagiko, estabelece-se o CIÚME: por ciúme, ELA, para puni-lo, entra com a prostituição caligráfica, ou seja, volta ao status quo de seu prazer individual em ser caligrafada por qualquer um; enquanto ELE entra com a divulgação de seu ciúme e, envergonhado, com o suicídio.

O cineasta poderia ter evitado a menção de Shakespeare: as pílulas mortíferas, fornecidas por um amigo ocasional, teriam sido eficazes sem semear no íntimo do espectador a expectativa de um suicídio a dois, banalizando naquele momento uma estória que até aquele momento estava sublimada por uma cultura acima de qualquer sugestão ocidental. Resta a ver se o cineasta o fez por livre e espontânea vontade ou se a “citação” consta do livro (diário) da autora. Se esta última hipótese é a verdadeira, poderia ela ser atribuída à vontade de Nagiko de ocidentalizar-se? Aquela vontade era tão forte assim? Se era, está explicada a ansiedade dela de livrar-se de um prazer sexual tão oriental. Entretanto a forma como a tragédia shakespeariana entra no filme soou barato.
Mais momentos críticos do filme como arte cinematográfica: ele poderia ter terminado no enterro de Jerome, na conversa surda, inútil e leviana entre uma mãe-muito-britânica-dona-do-lugar-e-muito-pouco-mãe-de-Jerome, com uma Nagiko oriental, sim, mas agora vazia de emoções. Também a estória dos demais livros e das demais imagens - ilustrativas de uma cultura internacionalmente ainda abstrata - tornou-se um peso que não acrescentou à mensagem intrínseca do filme, cujo sentido intimista correu o risco de perder-se no prolixo que foi, em termos artístico-cinematográficos para nossa era e para nossa ocidentalidade.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Para Eros, com saudades... (o Viagra desnecessário)

Por Roberto Dupré

Terror diante da morte do corpo.

Mas eis que ele morre e percebo a beleza do espírito.
Posso olhar o mundo com outros olhos.
Confesso que sinto saudades; melhor ainda: sinto falta do prazer.

Mas vejo como é bom afagar-te com o tato
Vejo como é bom o contato da tua pele.
O tempo poupou-nos.
A mim, os sentidos
A ti, toda a beleza
E só agora, no fim da vida,
coberto de neve,
eu que sempre acreditei possuir-te
Agora, aperreado do instinto
mas com o coração em chamas, posso, enfim
Ter-te.

Primavera de 2008

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Poemas incandescentes

Por Roberto Dupré
"O sexo é algo que aguça e move tudo em nós." Aretino

I

No abraço do reencontro
Com o coração tonto de prazer e os corpos em chama,
Lutaram tanto e com tamanho empenho que,
Quando, finalmente, foram para a cama
Não havia mais nada a fazer

II

Ismália, a que da janela via duas luas ( uma, no céu; outra, no mar)
Nua, sob o véu de noiva,
Quando viu o firmamento pela primeira vez
Nem precisou olhar o céu

sábado, 18 de outubro de 2008

Um Cupido Imprudente

Por Roberto Dupré

Como Eros, amo desmedidamente
E é tão cruel esse amor, que não sufoca apenas o amante.
Mata o ser amado.
Como Eros, amo desmedidamente
Um amor sem limites que
Ama todos: a mulher que amo, a mulher na rua,
A foto nua da garota-propaganda, a moça do tempo.
Amo o amor, Amo a beleza da atriz e da meretriz (magra ou gorda; loira ou negra; mocinha ou vilã).
Amo você.
E amo muito a vida que se esvai. Sou um escravo desse amor
O que faço em nome dele é monstruoso. Indescritível.
Digo que tenho que ser querido o tempo todo por você,
A quem mantenho encurralada
Na teia pegajosa do que chamo Amor
Na verdade, sou apenas um egoísta afogado em angústia.
(Proposta da aula de 11/10)