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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Sétimo encontro (22-11-2008)

Caros visitantes,

Para o encontro de hoje, propusemos uma atividade lúdica, porém com fim bem específico: trabalhar o vocabulário do poema "O elixir do pajé", de Bernardo Guimarães, que distribuímos no encontro anterior. Nesse poema, há muitos arcaísmos, palavras inusuais de conotação sexual e vocábulos exóticos em geral, por isso achamos interessante propor um lupanar. Lupanar (bordel) é uma atividade lúdica de escrita em que se fornecem vocábulos muito exóticos, cujo significado seja desconhecido da maioria dos participantes. Então, pede-se a produção de um texto que contenha todas as tais palavras. Para contornar a dificuldade, muitos tentam fazer associações com a forma da palavra, seja a forma escrita seja a forma sonora. Mais especificamente: joga-se com a dicotomia significante x significado, a qual compõe o signo. Demos 10 min. para que todos terminassem o texto, depois revelamos os significados e fizemos a leitura oral compartilhada das produções. Gargalhadas!

A lista de palavras foi a seguinte:

cona: vulva; peta: mentira; endefluxar-se: constirpar-se; pívia: masturbação masculina; manitó (manitu): entre os índios alonquinos dos EUA, energia vital, imanente a homens, animais, plantas, fenômenos da natureza; triaga (teriaga): medicamento caseiro, antídoto contra veneno; inúbia: tipo de trompeta de guerra dos índios tupi-guaranis; boré (toré): trompeta; marzapo: pênis; crica: vulva.

O resultado vocês conferem em "Produções - Lupanar".

Em seguida, a partir de uma autocorreção que fiz numa estrutura lingüística que havia construído, um escrevivente pegou o gancho e criticou o padrão lingüístico estabelecido pela Rede Globo e pela elite em geral, dizendo que se tratava de um empobrecimento da língua, além de excluir socialmente os falantes de outras variedades lingüísticas que não a de São Paulo. Sua crítica encontrou muitos adeptos, então passamos a debater com mais cuidado a relação existente entre língua e poder (1), o que pensamos ter sido muito enriquecedor para todos nós.
Após o intervalo até o fim do encontro, passamos a explicar passo a passo como criar e manter um blog, uma vez que acreditamos nele como sendo uma ferramenta importante para a publicação dos textos.
Pedimos que todos terminassem seus textos revistos após a troca em duplas e nos enviassem por e-mail, a fim de que fizéssemos nossas sugestões, eles reelaborassem o texto - se quisessem - e nos reenviassem para a publicação aqui. Tais produções "finais" (1) estão em "Segunda Proposta".
Loreta
1. Para um aprofundamento do tema, recomendamos a leitura de:

BAGNO, Marcos. A língua de Eulália (novela sociolingüística). São Paulo: Contexto, 1997.
____________. A norma oculta - língua e poder na sociedade brasileira. São Paulo: Parábola, 2003.
____________. Preconceito lingüístico - o que é, como se faz. São Paulo: Loyola, 1999.
____________. http://www.marcosbagno.com.br/index.htm (site oficial, acesso em: 03-12-2008).
POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado das Letras, 1996. Toda a obra desse mestre é recomendadíssima!

domingo, 23 de novembro de 2008

Sexto encontro (15-11-2008)

Caros visitantes,

A programação do encontro de hoje não foi ambiciosa em termos quantitativos, tendo sido nosso objetivo consolidar algumas conquistas que logramos ao longo do módulo deste Escrevivendo.
Primeiramente, quisemos ouvir dos escreviventes seus comentários a respeito do debate que lhes proporcionamos com os poetas Glauco Mattoso e Donny Correia e com o filósofo Valter José (veja "Quinto encontro"). Glauco, ao mesmo tempo que aclamado por muitos escreviventes (a maioria), sofreu a crítica de ser simplesmente um poeta que escrevia para se livrar de traumas. Contra isso, lembramos o interlocutor de que se tratava, na verdade, de se escrever a partir dos traumas, exortado por eles: por ser cego e homossexual, principalmente. O objetivo principal de Glauco Mattoso - e de toda poesia satírica - é vingar-se da sociedade. E por que criticar a escatologia presente em sua poesia se "a sociedade é suja" (comentário de uma escrevivente)? Outro escrevivente atenta-nos ao fato de que o poeta constrói uma persona satírica, com a qual não necessariamente se identifica por completo. Diz ele: "Duvido que o Glauco faz tudo aquilo que ele relata em sua poesia". Provocação!
Quanto a Donny, foi unânime a opinião de que ele foi prejudicado, uma vez que houve pouco tempo para que falasse de si e de sua poesia, a qual, segundo Bruna, nossa escrevivente, é tão afetiva, tão sensível e, ao mesmo tempo, precisa.
O principal comentário a respeito de Valter José foi de que eles, escreviventes, antes de conhecê-lo, não imaginavam que seria possível unir tamanha erudição ao gosto pelo pornô. Criticou-se o fato de o cinema ter sido muito mais inquirido que a poesia de Glauco Mattoso e de Donny Correia.
Em relação à atividade do debate, ficamos muito satisfeitas com os comentários. Uma escrevivente disse que foi uma "oportunidade espetacular, pois nunca me imaginei conversando com um cineasta de filme pornô", enquanto outro disse que "a discussão foi de grande profundidade."
A segunda metade da aula foi reservada inteiramente ao que chamamos de troca em duplas. Durante 1h30, os escritores tiveram a oportunidade de reler o texto uns dos outros e comentá-lo com mais acuidade, criticando com minúcia cada pormenor da linguagem. Trata-se de um dos momentos mais importantes do Escrevivendo, pois dá continuidade à reflexão sobre o processo de escrita e sobre a atividade de metalinguagem, numa oportunidade de pensar sobre os diferentes efeitos expressivos de diferentes construções, repensar escolhas lingüísticas e descobrir alguns meandros do processo criativo, desautomatizando o que é "inconsciente" na escrita.
Infelizmente, nesse momento notamos certa resistência por parte de alguns escreviventes, e achamos importante esclarecer o objetivo, o porquê da troca em duplas, além do que já expusemos acima. O fato é que o Projeto Escrevivendo, assim como o método de ensino de escrita de Lucy McCornick Calkins (1989), o qual procuramos seguir, vê na interação com o outro uma das principais funções da escrita e do discurso em geral. Se, por um lado, a interação se dá de forma magnífica na leitura oral compartilhada dos textos, nós, participantes de uma oficina de escrita, não poderíamos deixar de estabelecer tal interação também com o texto escrito, o que se materializa através do "comentário":
A participação do outro, ultrapassando a revisão que seria a de um corretor ortográfico ou gramatical (...) traz para a pauta de discussões o funcionamento real do discurso, a construção dos significados, as inferências, a interlocução possível com um destinatário distante (GARCEZ: 1988).
Não faria sentido para nós somente a revisão gramatical por parte do professor, que seria o único interlocutor do texto e seu único leitor. Dessa forma, o processo de escrita ficaria muito fechado, o que vai totalmente contra nossa concepção pragmática de que a língua e os textos são uma forma de intervir no mundo, socialmente, portanto. Ainda que os textos sejam ótimos e já muito bem escritos, como no caso desta nossa turma, sempre há o que melhorar, e a busca pela precisão, pela máxima expressão nunca se completa. Esse é um fato nada desalentador, pelo contrário; deve-se encará-lo como uma provocação, uma exortação ao trabalho com a linguagem!
O Projeto Escrevivendo, assim como o método de Calkins, prevê a leitura cuidada do professor, a qual os alunos esperam e exigem, mas desde que não seja a única leitura.
Durante a troca em duplas, Mafuane e eu fomos a cada uma, tentando aconselhar, ver e ouvir o que estava sendo feito, acompanhar a atividade de perto. Adoramos esse momento de labuta e de esquecimento de si por parte dos autores. O tempo voa e o resultado é magnífico, como pudemos constatar nos textos que vimos recebendo, os quais serão postados logo mais.
Loreta
BIBLIOGRAFIA
CALKINS, Lucy McCornick. A arte de ensinar a escrever. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.
GARCEZ, Lucília H. Anotações para o futuro. In: A escrita e o outro - os modos de participação na construçao de um texto. Brasília: UnB, 1988. p.158.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Quinto encontro (08-11-2008)

Caros visitantes,

O encontro que relataremos agora foi muito importante para a oficina do Escrevivendo Memórias Eróticas.

Esse foi um dia reservado ao recebimento de convidados ligados ao mundo da poesia, uma vez que o Escrevivendo é o único curso da Casa das Rosas - um espaço de poesia - que trata da prosa. Segundo o tema deste módulo, convidamos os poetas Glauco Mattoso e Donny Correia e o filósofo e cineasta Valter José para um debate em torno da questão sobre os limites entre erotismo e pornografia.




















A palavra foi cedida primeiramente a Glauco Mattoso (1), que teria somente uma hora para ficar conosco. Após rápida apresentação de si - uma vez que muitos ainda não haviam tido contato com sua obra - o poeta passou a discutir elementos essenciais de sua poética, que nos interessam muito de perto, como o erotismo - este representado por sua podolatria, um fetichismo por pés, que remete à submissão - e a escatologia, no plano do conteúdo, e sua disciplina formal, seu rigor estilístico - no plano da forma. Declara-se um pornosiano, que destila temas sujos, escatológicos e retifistas em formas poéticas preciosistas como o soneto decassílabo. Fala um pouco sobre suas leituras "infantis" - Monteiro Lobato, Frank Caprio e Jean Genet - e diz que seu Manual do podólatra amador (1986) foi escrito para encerrar sua vivência visual, sendo repleto de pessimismo. Tendo comparecido ali como prosador, diz Glauco que A planta da donzela (2004) é uma paráfrase de A pata da gazela (1870), de José de Alencar, com quem dialoga por meio da paródia. "Trata-se de uma colcha de retalhos de intertextos", diz.


SONETO 401 - IMPERFECCIONISTA


Agora lhes descrevo o pé que adoro:
Maior que o meu, portanto masculino,
ainda que pertença a algum menino,
suado até, por tudo quanto é poro.

Fedido de chulé: nunca inodoro.
Sapato ou bota: em couro nada fino.
Assim, folgado e sádico, o imagino,
igual aos que da infância rememoro.

Mais longo o indicador que o polegar,
na planta é plano, e não do tipo cavo.
Percebem onde, enfim, quero chegar?

O pé que idealizo, beijo e lavo
na língua, no tesão, no paladar,
é aquele que me trata como escravo.

Não houve tempo de fazer perguntas a Glauco Mattoso, e havia muitas, não só nossas como dos provocadores escreviventes, pois eles ficaram com poemas de Bocage - cuja tradição de "poeta maldito" Glauco mantém - para estudar; sobrou, então, para Donny Correia e Valter José.



Donny Correia (2) apresentou-se e falou também um pouco sobre suas influências. Diz que, embora não faça uma poesia erótica, de fato, não nega que de certa forma dialoga com o que viu em 120 dias de Sodoma, de Pasolini, que ele considera um marco em sua vida, não por identificação, mas como válvula de escape de uma família que alimentava tabus em relação ao sexo. Em sua poesia, Donny gosta de tratar da loucura e da escatologia, não somente do sexo, como vemos neste poema:



CORPOCÁRCERE

derme de plumas, úmida
suculenta
morfou-se vulva de pedra
glácea

suspiro que seja bélico
suspeito que seja eclipse

som surdo:
música em seu corpo
sem partitura,
gentil veneno sem bula
faca de dois beijos
lânguida lâmina
de pelos e plasmas

túnel de lava faminta
cercada de seixos pudicos
amianto de fogo prata
na sólida disciplina de algoz

prisioneiro de sua pele seda: sou

enforco-me no casulo letal
da mel retina em sua guarda

os emblemas do vício

açoitam a ausência
deslizar de dedos
por quilômetros intensos
de tensão insaciável
de repulsa violenta
carnal

trombetas de mil pontas
dilaceram a libido
e tocam a balada
mordaz de um faminto
que se farta
de agonia

derme de plumas, úmida
suculenta
banquete de orgias gregas
petisco da imagem
só, projetada em vídeo
céfalovirtual

alquimia letal
de ouro e cicuta
fuligem nos
escombros do
b e l o

derramo-me tórrido
no unicorpus: nós

Vale também registrar outro, bastante conciso e incisivo:


SEM TÍTULO

clitóris
ponta de lança

carne letal

broa de sangue

banquete barato
forca

e toda libido
intrínseca
num só silêncio


Os escreviventes estiveram muito atentos e interessados durante todo o debate...















Vocês são magníficos!




















Valter José (3), filósofo, foi muito inquirido, justamente pela polêmica de suas antigas atividades: 1. crítico da revista Playboy e diretor de filmes pornôs, o que, para a maioria das pessoas, não combina com tamanho eruditismo. Pois ele foi corajoso e mostrou que é possível tal conjunção. Os escreviventes não deixaram barato e esquentaram o debate.

Acreditamos muito na importância dessa atividade, não somente como incentivo para o tema da escrita, como para um crescimento nosso, uma troca de experiências muito salutar, num espaço para discutir um assunto evitado por todos, mas presente na vida de todos. Durante a conversa, era possível ver muitos escreviventes anotando, rabiscando, criando já.


Veja no relato do sexto encontro alguns comentários dos escreviventes a respeito da conversa com os convidados.


NOTAS:

Glauco Mattoso: http://glaucomattoso.sites.uol.com.br/index5.html. "Glauco Mattoso é poeta, ficcionista, ensaísta e articulista em diversasmídias. Pseudônimo de Pedro José Ferreira da Silva (paulistano de 1951),o nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma,doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até acegueira total em 1995), além de aludir a Gregório de Matos, de quem éherdeiro na sátira política e na crítica de costumes."

Donny Correia: http://www.germinaliteratura.com.br/dcorreia.htm. Poeta, tradutor e videomaker. Nasceu em São Paulo, em 1980. Morou em Londres entre 2000 e 2003, onde editou uma coluna de entrevistas no jornal Brazilian News. Publicou o livro de poemas O eco do espelho (2005). Atualmente, é coordenador cultural da Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.


Valter José: Doutor em Filosofia pela USP, dirigiu filmes pornôs na década de 1990 e foi crítico da revista Playboy.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

3º encontro - Breve explicação de Karen

No terceiro encontro do módulo 'Escrevivendo Memórias Eróticas'(25/10), ministrado por Loreta e Mafuane, não resisti... e apareci. Alef, para matar um pouco da saudade que sinto dos escreviventes ( até a Sandra do Textando 2005 estava lá!); Beit, para ver como correriam as discussões sobre o filme O Livro de Cabeceira (1995- inspirado no diário de Sei Shonagon) , de Peter Greenway.
Durante os comentários, a outra Sandra, a Schamas, disse estar surpresa com o 'casamento' entre o filme escolhido para a discussão e o tema deste Escrevivendo: o erotismo. Então, acabei revelando que este último módulo de 2008 foi pensado a partir deste filme, dando continuidade aos módulos Memórias e Memórias de Amor.
Assim como foi para o escritor e poeta Haroldo de Campos (segundo Maria Esther Maciel), Greenway é também meu cineasta contemporâneo favorito.
Há poucos meses, Maciel ( professora de Teoria da Literatura da Faculdade de Letras da UFMG) esteve na Casa das Rosas e ministrou um curso sobre este diretor e suas obras. Ao rever parte do filme em questão, reencontrei belas reflexões que adoraria compartilhar em nossa oficina de leitura e escrita.
Como esta é uma breve explicação, vou parando por aqui, mas não sem antes deixar algumas indicações para leituras complementares:
1- A memória das coisas- ensaios de literatura, cinema e artes plásticas, de Maria Esther Maciel (v. bibliografia).
2- http://www.tulselupernetwork.com/basis.html( um trabalho multimídia interessantíssimo)
3- O idioma analítico de John Wilkins, de J.L. Borges
4- http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2499,1.shl(sobre outras 'listas literárias')
Sábado, 08/11, teremos um debate entre os poetas Glauco Mattoso e Donny Correa, além da participação do filósofo e especialista em filmes "B", Valter José, sobre erotismo & (ou versus) pornografia .
Até lá,
KK

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Quarto encontro (01-11-2008)

Amigos queridos,

Já chegamos à metade deste nosso módulo Escrevivendo Memórias Eróticas, que a cada dia fica mais interessante, pelo menos para nós, mediadoras. Esses dias, passando pelo blog da Sandra Schamas, reli o texto "Orgia literária ou prazeres do texto grupal" e me emocionei novamente. Trata-se de texto de transição entre o módulo anterior - Escrevivendo Memórias de Amor - e este. Acessem: http://sschamas.blogspot.com/ e deleitem-se.

Hoje foi dia de leitura das últimas produções, de compartilhar textos dos escreviventes. Adoramos esse momento, pelo qual esperamos ansiosamente, roendo as unhas, ainda mais para saber o que vai sair da proposta feita. Alguns textos pudemos conhecer durante a semana, uma vez que muitos escreviventes conseguiram fazer sua primeira versão e nos mandar por e-mail. Ainda assim, aguardávamos a leitura deles em grupo e as reações de sua primeira recepção. Tal momento é impactante e único.

Antes das leituras, porém, nossas preliminares ficaram a cargo do Decamerão (1), de Boccaccio. Durante a semana, os escreviventes puderam ler a novela que selecionamos (Primeira novela, terceira jornada, Neífile), prestando atenção não somente ao conteúdo dela, mas a sua linguagem, à forma como foi escrita. O que fizemos hoje com o texto foi, de forma rápida (uma rapidinha, como sempre...), ler alguns trechos mais calientes, satíricos, e discutir a linguagem velada do texto, escrito entre 1348 e 1353. Em geral, ouvimos dos participantes que se tratava de texto bastante erótico, mas que dizia tudo sem dizer nada. Sua opinião foi de que pornográfica mesmo só havia uma passagem:

(...) pois, antes de se afastarem dali, mais de uma vez elas quiseram constatar como o mudo sabia cavalgar. (p. 121)

Um dos escreviventes, a Bruna, nos chama a atenção para o fato de, nesse trecho, o mudo satisfazer as duas freiras ao mesmo tempo:

"As duas jovens investigaram bem, por todos os lados; comprovaram que de nenhuma parte podiam ser vistas; a mais audaciosa, que iniciara a conversa a respeito de Masetto, despertou-o; e ele logo se pôs de pé; a freira segurou uma de suas mãos; fez-lhe algum carinho; e ele rindo, de tempos a tempos, como se fora um perfeito idiota, deixou-se conduzir ao caramanchão, onde, sem ser muito empenhado, fez o que ela queria que ele fizesse. A jovem, como companheira leal, assim que recebeu o que queria receber, cedeu seu posta à outra; e Masetto, mesmo continuando a parecer simplório, fez a vontade das duas; pois, antes de se afastarem dali, mais de uma vez elas quiseram constatar como o mudo sabia cavalgar. Em seguida, ambas, conversando a esse respeito, reconheceram que aquilo de fato era coisa deliciosa - e muito mais deliciosa do que tinham ouvido afirmar." (p. 121)

Entretanto, nossos participantes não chegaram a apontar elementos do texto que ilustrassem aquele dizer velado, o que, após provocá-los e deixá-los com a pulga atrás da orelha, revelamos. Trata-se de algumas passagens simples, como:

1. "(...) a freira segurou uma de suas mãos; fez-lhe algum carinho; e ele rindo, de tempos a tempos, como se fora um perfeito idiota, deixou-se conduzir ao caramanchão, onde, sem ser muito empenhado, fez 0 que ela queria que ele fizesse. A jovem, como companheira leal, assim que recebeu 0 que queria receber, cedeu seu posta à outra; e Masetto, mesmo continuando a parecer simplório, fez a vontade das duas; pois, antes de se afastarem dali, mais de urna vez elas quiseram constatar como o mudo sabia cavalgar. Em seguida, ambas, conversando a esse respeito, reconheceram que aquilo de fato era coisa deliciosa - e muito mais deliciosa do que tinham ouvido afirmar. Dali por diante, pois, sempre aguardando 0 momento azado, passaram a divertir-se com o mudo." (p. 121)

2. "(...) concordaram em que seria melhor elas partilharem do generoso poder de Masetto. (p. 122)."

3. "Então, com unânime consentimento, pondo-se às claras aos olhos de todas o que por todas fora praticado as escondidas (...)". (p. 122)

Concluímos essa discussão conversando sobre as potencialidades do leitor, que é capaz de captar muito mais do que está escrito no texto, dependendo, em grande parte, de suas experiências e de seu repertório. Dessa forma, na linguagem deve estar a consideração do autor pelo seu leitor, o qual não deve nunca ser menosprezado.

Voltando às leituras das produções dos escreviventes, estas se estenderam até o fim do encontro, entremeadas de muita polêmica. O primeiro texto lido, o do Paulo, gerou muitos comentários acerca da linguagem erótica ou pornográfica. Houve muitas críticas, mas os escreviventes se lembraram de que 1. o Escrevivendo é um espaço para se discutir a linguagem escrita e 2. a recepção dos leitores é muito individual. "Quem dá a medida do erótico ou do pornográfico somos nós mesmos, de acordo com nossos valores, nossas experiências", disse a Mafuane; assim, a linguagem obscena pode agradar a leitores que não se contentam com a sutileza de Tolstói, por exemplo, em Anna Kariênina. Após a reescrita, cremos que o Paulo autorizará a publicação de seu texto aqui no blog.

Quanto à proposta (v. "Segundo encontro", nesta seção), parece que, no geral, conseguimos nos fazer entender. Temos de levar em consideração que muitos de nossos escreviventes assumem-se "rebeldes", recusando-se a qualquer tipo de engessamento, mesmo que seja somente uma sugestão. Se não houvesse proposta nenhuma, apostamos, seríamos questionados sobre ela. Ai, esses autores...

Comentários dos escreviventes sobre os quais vale a pena se pensar:

"O pornográfico fere".

"Os poetas são mais eróticos".

Anotamos muitos dos comentários aos textos, mas pensamos ser melhor postá-los à medida que os textos forem publicados aqui, uma vez que vocês que estão lendo este texto não teriam os textos citados em mãos - ou em tela...

No próximo encontro, receberemos os valiosos Glauco Mattoso, Donny (poetas) e Walter José (filósofo e cineasta) para um debate sobre erotismo e pornografia. Será permitido levar convidados. Durante a semana, os escreviventes terão contato com a obra desses importantes artistas e já formularão questões para as provocações. Nós, mediadoras, estamos ansiosas e vamos tietar!!!!

Abraço a todos,

Loreta

1. BOCCACCIO, Giovanni. Decamerão. Trad. Torrieri Guimarães. São Paulo: Nova Cultural, 2003. p.119-123.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Terceiro encontro (25-10-2008)


Trate-me como a página de um livro.
Nagiko, em O livro de cabeceira


Caros amigos,

No encontro deste sábado estivemos acompanhados da obra-prima que é o filme O livro de cabeceira (Pillow book, 1996), de Peter Greenaway (roteiro e direção). Não temos pretensão nenhuma de resumi-lo aqui, mas apenas de citar seus grandes temas e relatar o porquê dele no Escrevivendo Memórias Eróticas e como foi sua recepção em nossa turma.

O livro de cabeceira tem como protagonista uma japonesa cuja maior obsessão é a escrita e tudo que a envolve: textura do papel, seus odores, a espessura do pincel (utilizado na escrita oriental) e a tinta. Tudo pareceria muito comum e corriqueiro se a linda menina não escrevesse em corpos, a partir de um ritual ensinado a ela por seu pai, aos 5 anos de idade. Aos 5 anos também ela conhece o O livro de cabeceira de Sei Shonagon, o qual completaria mil anos quando ela completasse 28.

A película é mais importante para o Escrevivendo Memórias Eróticas do que podem pensar os escreviventes. Karen Kipnis, nossa coordenadora, revelou-lhes que o curso, na verdade, foi feito para o filme (ver coluna ao lado esquerdo), o que parece bastante apropriado, uma vez que estão em jogo a escrita e o sensual, corporal, carnal, erótico - parfait mélange.

Após a exibição do filme para a turma, fizemos um rapidíssimo intervalo e passamos a discutir o filme. Antes de dar nossa leitura, quisemos, como sempre, ouvir os escreviventes, cuja sensibilidade e senso crítico são tão apurados. Muitos gostaram dele, muitos não gostaram, mas certamente todos o estranharam muito. Posto que o estranhamento (ostraiênie) - como diria Chklóvski (1) em seu ensaio "A arte como procedimento" (2) -, é próprio da arte, teríamos, então, de saber por meio de que elementos o diretor o logrou, o que levaria também à discussão sobre os elementos eróticos do filme.

Os comentários, como sempre, não seguem nenhuma ordem especial, pois vai se dizendo aquilo que toca mais a fundo cada participante; cremos, entretanto, que, no geral, deram conta dos elementos mais importantes do filme, quais sejam - no âmbito mais superficial - a tradição oriental x a efemeridade ocidental; o valor da caligrafia para as escritas orientais; o preconceito contra a literatura e a dificuldade de publicar a própria obra. No âmbito mais profundo, surgiram comentários sobre a relação sensorial/ sensual entre a obsessão pelo corpo e pela escrita/ caligrafia, esta remetendo ao sentido da visão, e o papel, ao do tato e do olfato. Ambos, corpo e caligrafia, sempre estiveram ligados ao sagrado, ao Bom e ao Belo, daí a coerência e, até mesmo, necessidade de uni-los ("Há os prazeres da carne e os da literatura; eu tive o prazer de desfrutar os dois", diz Nagiko). O escrever na alma é completamente distinto, e ainda mais sério do que tingir o corpo com letras ("Escrever sobre o amor é encontrá-lo", haja vista que "Tudo se acaba ou se consome, menos o amor", diz Nagiko).














Além disso, refletimos também sobre a linguagem cinematográfica do filme. Lendo o ensaio de Maria Esther Maciel (3) (ver em http://www.revista.agulha.nom.br/ag23greenaway.htm), nós, mediadoras, chamamos a atenção dos escreviventes também para a busca de uma nova narratividade, buscada por Peter Greenaway, o que se mostra muito pertinente a nosso tema - memórias. Na narração, ainda mais no caso de um diário, busca-se selecionar fatos da memória e organizá-los de certa forma, entretanto ninguém tem exato controle sobre como funciona tal processo de seleção dos eventos experienciados. É com as listas - gênero que aparece insistentemente em O livro de cabeceira e em outras obras de Greenaway - que o cineasta, dialogando com Borges, parodia a tentativa de cosmogizar o caos - natural - que são a memória e o mundo "real". As listas, portanto, são um sucedâneo à narração tradicional, porém, como é impossível aquela organização, todas as listas resultam fantásticas. Segundo Maciel, trata-se não de "classificar racionalmente o universo, mas de revelar - através da ficção - o caráter arbitrário de todos os sistemas de classificação."
Logo mostrou-se ser impossível esgotar as leituras do filme em meia hora (!), mas, como dissemos, os elementos primordiais foram contemplados, os quais, certamente, darão conversa nos textos que aguardamos ansiosas até a semana que vem (para lembrar a proposta, ver postagem "Segundo encontro"). Havíamos planejado o comentário de uma novela do Decamerão também, mas ficou para a próxima.

1. CKLÓVSKI, Víktor. A arte como procedimento. In: Teoria da literatura - os formalistas russos. São Paulo: Globo, 1971. A tradução para o português é péssima, portanto sugiro ou a leitura no original russo ou a) em francês; b) em espanhol e c) em inglês, só que o título do livro muda conforme a língua, e o conteúdo da coletânea também, uma vez que título e seleção dependem do editor.
2. Forma que a arte tem de tornar “estranho” aquilo que tem uma existência comum nascido de um processo de automatização (processo que se confunde com a banalização do objeto de arte, que só por um outro processo de renovação poderá proceder a um renascimento da arte).
3. Professora de Teoria Literária da UFMG.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Segundo encontro (18-10-2008)

Caros visitantes,
Eu e Mafuane não hesitamos em dizer que foi este o melhor encontro que experienciamos no Escrevivendo. Como disse a Mafu: "Ficou tudo redondo, lindo..." Neste relato que irão ler, saibam que se trata apenas de uma tentativa de representar a memória desse momento tão especial para nós.
Dia frio e nublado. Iniciamos nosso encontro, porém, inspirados por Eros, Psique, Afrodite e Marte, o que não poderia resultar em outra coisa senão muito ânimo e calor.
Após as devidas acomodações, troca de abraços e beijinhos habituais entre os participantes, perguntamos quem já havia visitado o blog e nos certificamos de que todos haviam recebido minhas sugestões a respeito da primeira proposta. Ficou combinado que não faríamos a troca em duplas desse texto, e sim iríamos realizar mais conferências para a próxima proposta, que não necessariamente anularia aquela, aliás. Todos responderam afirmativamente, então passei ao esclarecimento de uma questão recorrente em todos os textos, a qual eu já havia percebido quando da leitura que os autores haviam realizado no dia da produção: como a proposta era dirigir-se a Eros, pedindo-lhe inspiração, etc. (ver neste blog, à esquerda), os autores teriam de usar, obrigatoriamente, alguma forma de tratamento, exigência do gênero (mais ou menos como uma ode). Todos, sem exceção, misturaram as formas pronominais referentes ao tu, ao vós e ao você. A todos respondi individualmente, mas o que reforcei como um todo foi o fato de que, se essa mistura ocorrer, ela deve ser consciente, servir a um efeito de sentido diferente. Como exemplo, apresentamos o texto da Bruna (o primeiro postado aqui). Após conversarmos a respeito da adequação dos pronomes (tu, teu, tua, ti, etc., tens, podes, fazes; vós, vosso, vosso, vos, tendes, podeis, fazeis, etc.; você, seu, sua, tem, pode, faz, etc.; senhor = você, na conjugação), ela resolveu tratar Eros por "tu" durante todo o texto, apenas modificando seu tratamento na última frase, pois, uma vez conhecido e íntimo, o tratamento para com o ser amado muda. Perfeito!
A discussão sobre os pronomes estendeu-se a outros do português, a outras línguas, tendo sido discutidas várias práticas sociais e situações de comunicação. Como vêem, tentamos ao máximo não destratar nossa língua com mais gramaticalismo vazio e sim pensar a gramática na construção do texto, como os recursos estilísticos dos gêneros, dos quais fala Mikhail Bakhtin (1).
Logo depois, Mafuane fez a contação da história de Eros e Psique, seu nascimento e sorte. Foi emocionante e esclarecedora, tendo sido seguida de uma apresentação de slides muito sintética sobre o mesmo tema, rica em muitas imagens interessantes, como a do falo de Príapo, por exemplo (ver em "Leitura complementar", Eros x Príapo). Mafuane nos trouxe alguns livros interessantes, os quais constam de nossa bibliografia complementar.
Fizemos um breve intervalo e voltamos ao som de três canções: "Tango de Nancy", de Chico Buarque e Edu Lobo; "Explode coração", de Gonzaguinha, e "Sexo e amor", de Rita Lee, Roberto de Carvalho e Arnaldo Jabor (as três letras já estão aqui e, em breve, os áudios também estarão. Ver também em "Leitura complementar" a crônica de Arnaldo Jabor que suscitou a canção de Rita Lee). Fizemos a interpretação e análise de texto de "Explode coração", destacando as imagens que o compositor construiu. Eu e Mafuane falamos o menos possível: sempre tentamos ouvir mais que falar, embora tenhamos feito nossas provocações e mediações, dando o fecho quando necessário.
Após a introdução, com a música "Sexo e amor" (que foi eleito o tema deste blog), lemos o poema de Drummond "Amor - pois que é palavra essencial" (v. em "Leitura complementar"), que dialoga com a mitologia grega e com Platão, além de ser uma ode, como a que pedimos aos escreviventes.
Já estávamos, então, prontos para iniciar nossa conferência sobre o Banquete, de Platão. Mafuane fez um resumo do discurso de Aristófanes, somente para aquecer, uma vez que todos tiveram o texto em mãos durante toda a semana, para ler, anotar e refletir. Além das provocações do próprio Platão (v. alguns trechos em "Leitura complementar"), levamos algumas definições de dicionário (2) de erotismo e pornografia, bem fechadonas, a fim de as abrirmos. O resultado foi um qüiproquó daqueles, uma delícia. Eu e Mafu intervíamos aqui e ali, esclarecíamos, provocávamos mais, mas a cena era dos escreviventes. Enquanto rolava o bate-boca, muita gente anotava, rabiscava.
Uma das provocações foi a leitura de Mafuane de dois trechos de Budapeste (3), um de uma descrição mais idealizada e outra mais erotizada. Da primeira vez que Mafuane os leu, fê-lo como se os trechos fossem de autores diferentes, e deu às leituras entonações bem destoantes; da segunda vez, quando os escreviventes perceberam-se ludibriados, foi feita a releitura, em tom mais condizente com o texto integral. Objetivo: mostrar que, no texto, deve-se considerar o todo, porque nem sempre os fragmentos conseguem representá-lo. A linguagem artística é complexa, não se podendo simplificá-la com títulos e rótulos. Erótico ou pornográfico? Sabe-se lá!
Deu 13h35 e, já atrasadas, passamos nossa segunda proposta de produção de texto, não sem antes distribuir o material que eles teriam de ler durante a semana, para a próxima conferência, além daquele que eles pesquisam sempre por conta. Pedimos que elaborassem um texto discutindo o que é (natureza, essência), para que serve (prática social, situação de comunicação) e como se constrói (linguagem, escolhas lingüísticas, imagens) um texto erótico e/ou pornográfico. Eles poderão acrescentar experiências, memórias em geral (de vida, de livros, de filmes, etc.). Esperamos que daí saia um texto híbrido de estrutura argumentativa e narrativa. Não especificamos o gênero, o que vier será bem-vindo.
NOTAS:
1. BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
2. HOUAISS, Antonio. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
3. BUARQUE, Chico. Budapeste. São Paulo: Companhia das Letras, 2003

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Primeiro encontro (11-10-2008)

Caros amigos,


Hoje teve início mais um módulo do Escrevivendo, este Escrevivendo Memórias Eróticas. Nosso propósito com o presente tema é dar continuidade às discussões do módulo anterior (Escrevivendo Memórias de Amor), uma vez que não apareceram somente discussões e textos a respeito do amor idealizado. Houve muitos textos erotizados, e isso nos chamou a atenção para quais seriam os limites existentes entre amor idealizado, erotismo e pornografia. Pretendemos, então, trazer tal polêmica para cá, sempre visando ao cumprimento da proposta do Projeto Escrevivendo, que é uma só em todos os módulos.


Desta vez estamos ainda mais felizes, porque temos companhia! Além desta turma de escreviventes, há outras duas: uma às quintas-feiras, aqui na Casa das Rosas mesmo, e outra no Museu da Língua Portuguesa (veja o endereço do blog na coluna ao lado). Boa sorte para todos nós!


Pois bem, nosso primeiro encontro teve início com a habitual apresentação do Projeto Escrevivendo - sua proposta e o funcionamento da oficina - , uma apresentação de mim, Loreta, da Mafuane e dos participantes. Nosso público continua bem variado, mas, como todos estão ali buscando refletir sobre sua relação com a escrita - sua e do outro - , a turma logo fica coesa e o ambiente se torna familiar, aconchegante.


Em seguida, falamos um pouco sobre os mitos que cercam o ato de escrever, constantes do livro de Garcez (2004, p. 2-12), quais sejam:

a) escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida e não um dom que poucas pessoas têm;
b) escrever é um ato que exige empenho e trabalho e não um fenômeno espontâneo;
c) escrever exige estudo sério e não é uma competência que se forma com algumas "dicas";
d) escrever é uma prática que se articula com a prática da leitura;
e) escrever é necessário no mundo moderno;
f) escrever é um ato vinculado a práticas sociais.


Fizemos um rápido intervalo e voltamos falando um pouco a respeito de Eros, deus grego do Amor de cujo nome derivam vocábulos como erótico e erotismo. Logo depois, pedimos uma produção inicial, bastante simples - um elogio a Eros -, com a finalidade de 1) ter um primeiro contato com a escrita dos participantes e 2) já introduzir a discussão sobre o Banquete, texto de Platão que é um elogio ao amor. Eu e Mafuane não fizemos nenhuma restrição a respeito do gênero a ser desenvolvido, com exceção de eles terem de se dirigir ao Deus, adorando-o e pedindo-lhe inspiração para os próximos trabalhos. Eles tiveram cerca de 20 min. para realizar a produção, após o que iniciamos a rodada de leituras.

Todos conseguiram realizar a proposta e bem de acordo com o que prevíamos: textos encomiásticos, como as odes. Cremos que Eros tenha ficado muito satisfeito!

Vocês podem conferir os textos na coluna "Nossas memórias" (proposta de 11-10).